Saber que alguém, um dia, vai saber que estive aqui e, de uma forma aproximada, conhecer o que senti, pensei e vivi, faz com que a inevitabilidade da morte se torne numa ideia mais suportável. Que diferença fará, perguntam, quando já não estiveres, que alguém conheça, de uma forma aproximada, o que sentiste, pensaste ou viveste? Sei lá... já não estarei, é certo, mas a minha passagem por aqui valerá por algo que se esquecerá com o tempo e não por algo que nunca aconteceu - acho que é isso. Não quero tornar-me em algo que nunca aconteceu, compreendes? Sentes este amor maior? Quando digo que te amo, é isto: saber que sabes que te aconteci. Não basta dizê-lo, tenho mesmo de escrevê-lo, para que se prolongue no tempo. Que ninguém diga que nunca aconteceu, que tu não digas que nunca aconteceu, está escrito: amo-te, meu amor, sim. Senti no meu tempo, pensei no meu tempo, vivi no meu tempo, e disse-to, e escrevi-o para que não nos tornemos em algo que nunca existiu: amo-te mesmo muito, meu amor, tanto quanto o sentido da existência. Beija-me, agora. É bom que todos pensem que me beijaste mesmo. O sentido da minha existência é um só: o de amar. Sentir que sou amada? Sim, sinto, com menos intensidade do que a necessidade de amar. Talvez até por sentir este menos, ame em todas as direções e ainda mais. O que ganharia eu e perderia o mundo se sentisse em pleno um amor que me bastasse...Com toda a certeza, não teria tempo para o escrever... ou talvez escrevesse, euforicamente, ainda mais, quiçá? Alguém que escreve para que se saiba que sentiu, pensou, viveu, que aconteceu, será porque procurará a plenitude que não teve no seu tempo de vida num extra-tempo, talvez... Uma mordaça no meu pensamento que isto já ultrapassou os limites da boca. Beija-me, agora. É bom que todos saibam que me beijaste mesmo.Não os de agora, os do extra-tempo. Será que também me queres beijar, tu, o do extra-tempo? Não queiras, não sofras por cumplicidade com o registo egoísta da minha alma. Vive o que o teu tempo te dá e permite. O que não existe, não existe mesmo. E eu, este eu contemporâneo, já acabou, findou. Vejo uma mulher tão linda na mesa de trás. Não queres espreitar e beijá-la a ela? Vai, que eu fico feliz.
Conceição Sousa in "FICA"
sábado, 22 de novembro de 2014
sábado, 15 de novembro de 2014
Capítulo 28
Ela deixou os filhos
com a mãe e foi buscá-lo, ao aeroporto. Nem sabia como se comportar. Há uma
década que não se viam. Desentenderam-se, tinha a criança de ambos cinco anos.
Ele emigrou; ela desesperou e encontrou num outro companheiro o conforto que a
sua fragilidade pedia. Uma tranquilidade que só durou um par de anos e da qual
resultou mais uma criança. Tinha agora um filho de quinze anos e uma menina de
nove. Nada na vida dava certo, a não ser a bênção de ser mãe. Começava a
exasperar. “Tinha um filho de cada homem”, o irmão. “Iludiu-se”, o irmão. “Tens
de ter juízo agora”, o irmão, “que uma mulher não pode andar por aí a namorar,
que já és muito falada, que estás a ser egoísta e a fazer sofrer os pais, e
toda a gente sabe”, o irmão, divorciado pela quarta vez e com uma diferente a
cada semana. “Há que praticar a Insustentável Leveza do Ser”, mana, “são amigas
coloridas, a ser confortadas de três em três semanas que assim não se põem com
ideias nem há chatices, amigas coloridas, mas eu sou homem e posso, tu és
mulher”.
Conceição Sousa in "FICA"
Capítulo 27
Olha,
lá vão eles, lado a lado, o engravatado e o encapuzado, e trocam as voltas ao
tempo como trocam as voltas à vida, como trocam as voltas ao bolso – porque,
sim, é lá que ambos são amigos, é lá que ambos se encontram, no bolso.
E
o encapuzado diz:
–
Olha,
olha! Repara! É de ouro o colar que traz ao pescoço, é de diamante o anel que
lhe cobre o dedo, e de pele a carteira a tiracolo, vamos lá, é grande o dia,
mãos ao ar!
E
o engravatado reforça:
– Mãos ao ar!
E
a septuagenária, amedrontada, pede misericórdia:
– Mas por que me roubais,
Santo Cristo? Por que roubais esta pobre em fim de linha? O que me levais é
tudo o que consegui de precioso, uma vida de suor, uma vida de trabalho, uma
família que não tive, um emprego que me comeu os nós das mãos, uma fome que me
soprou a corcunda, Santo Cristo!
O
encapuzado atenta nos olhos do engravatado:
–
É para os meus filhos comerem, Senhora. Minha Rica Senhora, não se zangue, é
para os meus filhos comerem. Se tivera filhos, haveria de compreender, minha
rica Senhora…
O
engravatado pasma na boca do encapuzado:
–
Cala-te p’raí, ó trapo velho! Já não andas cá a fazer nada. Esse ouro e
diamante ficam-me a matar. É p’ra adoçar a boca do gigante do petróleo. Assim,
dá-me um lugarzinho lá na firma e eu deixo de contar os tostões. Não falta
nada, vou ser o Dr. Manda Chuva, ai que não vou! Manda p’ra cá e bico calado,
senão levo-te p’ra choldra por falta de comparecimento!
A
septuagenária, que de miopia não tem nada, observa:
– Usas capuz, mas falas
com educação e há aí um mais-que-perfeito a indicar que também tens suado, meu
querido menino. Pena as más companhias, esse linguajar desse aí de gravata é de
quem só conhece o papo para o ar, a preguiça de respirar e as artimanhas das
heranças encomendadas, de quem é ensinado a vender os próprios pais pelos
próprios.
O
engravatado acotovela o encapuzado:
– Olha, olha agora para
aquele lado! Aqueles grisalhos! Estão descalços a jogar as cartas, mas sempre
podemos roubar…
O
encapuzado não acredita no que está a ouvir:
–
Roubar?
O
engravatado dá um sorriso amarelo:
– Roubar a alegria, pá,
roubar a alegria! E pode ser que, se os abanarmos bem, saiam ovos de ouro pelo…
O
encapuzado tapa-lhe a boca:
– Não digas mais. Não vês
que já nada têm? Estão descalços, pá! A partir daqui, se quiseres, continua
sozinho. Eu, por hoje, já me arremedio, já tenho ovos, massa e feijão por mais
de um mês. Mas era bom se parasses. Não vês que nem para o caixão?
O
engravatado barafusta:
–
Queres assim, óptimo! Desaparece-me da vista! Eu ainda tenho muita alegria para
estourar. Ninguém me pára, ninguém me pára. Tu usas o capuz de vergonha, mas eu
não tenho vergonha. Eu uso a gravata de orgulho, é com orgulho que p’ra eles
andarem descalços eu uso gravata! E talvez ainda saiam uns ovinhos… Mãos ao ar!
Srs.
Deputados do governo e oposição de faz-de-conta (já nem me dirijo aos outros
acima na hierarquia porque não são de cá, da Terra, humanos, são uma espécie de
alienígenas com tiques de pactos de agressividade), a redução do défice e o
término da espiral recessiva (que os cidadãos não vivenciam), os vangloriosos
resultados a que afirmais a boca cheia teres chegado ( e que os cidadãos não
sentem) são à custa de cortes unilaterais e arbitrários nos rendimentos do
trabalho ( de agora e de outrora); são à custa do roubo diário da dignidade das
famílias ( da felicidade das famílias), da possibilidade de honrarem os seus
compromissos, a sua palavra, o seu fio condutor ( perdemos o Norte, sabeis
disso?); são à custa de cada vez mais sem-abrigo, de cada vez mais negligência
nos cuidados de saúde, na assistência à terceira-idade; são à custa do
holocausto do desemprego, da fuga apocalíptica de muitos (aos milhares) da sua
nação (uma que sentem como estranguladora, exploratória, implacável no
desrespeito pela dignidade humana, gratuita nas injustiças, em pleno corredor
da morte quanto à quebra do voto de confiança e dos alicerces da democracia – a
tentar perceber como vai acontecer, injecção letal?); são à custa do contínuo
assalto fiscal, das desculpas esfarrapadas burocráticas para comer um pouco
mais da fome de quem já nada tem ( e tudo serve, até um recibo que alguém
esqueceu de guardar – vamos lá ver se o barro cola à parede…); são à custa da
machadada certeira nas pernas curtas de muitos trabalhadores independentes (
que ilusão, meu Deus!) que, pese embora a honestidade de o declararem que o são
( nem sempre é assim – e esses têm mais sorte), trabalhadores necessitados de
actividade lateral prioritária independente para sobrevivência ao flagelo da
ditadura mascarada de democracia, são barbaramente bombardeados com mais
assalto aos parcos rendimentos de circunstância que auferem ( “era para tapar
aquele buraco, mas, meu amigo, cavei um mais fundo ainda”, dirão agora, com a
corda ao pescoço).
Srs.
Deputados do governo e oposição de faz-de-conta ( não quero crer que também
sois daquela espécie alienígena, sem pingo de humanidade, só focada em pactos
de agressividade), devo informá-los que esta é uma nação governada por elites
vergonhosas, invejosas e temerárias, que encontram nas leis, lapidadas a dedo
cirúrgico, a sabedoria e a manha necessárias à decapitação de qualquer tipo de
prosperidade, seja a independente, seja a inteligente, seja a crente. Vão
sacanear outros!
Dedos
erguidos, dedos bem erguidos, bem tesos para arremessar no papel toda a fúria
reflexiva, instintiva e combativa.
E
porque alguém, funcionário precário do Estado ( do Estado, um de direito, quem diria?)
há décadas, a ser colocado ora aqui, ora ali, ora acolá, a ser obrigado a
endividar-se com os bancos ( pois claro! – se não caminhasse para aí é que
seria de estranhar, não?) para comprar fraldas, mantimentos, consultas
pediátricas e deslocações, atirar-se de cabeça numa actividade independente (
deixem-no iludir-se…) como botija de oxigénio ( até o ar se paga, não sabeis?)
para conseguir continuar a pôr comida na mesa – não sem antes ter de fazer um
amplo investimento com possível risco de não retorno ( se bem que numa de não
retorno já se encontrava) – e eis que a digníssima Segurança Social, na
assinatura da sua diretora, exige um valor mensal soberbo ( ai que vontade de
rir, se não fosse para chorar – e até já chorei!) porque há uma mesquinhice
propositada legislativa que exige o cumprimento de prazos, exige que alguém que
não tem retorno do investimento numa atividade independente pague aquilo que
não tem (deixem-me respirar! Ufa! encontrem-me outra botija! Preciso
urgentemente de outra botija!...).
Ah!,
neste caso não há cruzamento de dados. Há p’ra tudo o resto que seja
divinatório de assalto fiscal, mas para reposições de verdades, de cumprimento
de obrigações, de contabilização de descontos feitos pelo funcionário do Estado
para o Estado, aí fecha-se os olhos às informações internáuticas centrais e
vai-se buscar um pormenor burocrático
legislativo, configurado a dedo cirúrgico, para abrir um pouco mais o buraco.
Dedos
erguidos! Dedos bem erguidos, bem tesos, para arremessar no papel toda a fúria
humana de humanização e existencial! Dedos prontos a denunciar, a não calar, a
chafurdar toda esta merda!
Como
pode alguém sobreviver a estes ataques constantes e contínuos perpetrados por
quem, supostamente, deveria representar o cidadão? A má fé abunda na Casa do
Povo que deixou de ser a Casa do Povo.
Exmos.
Srs. Deputados do governo e oposição de faz-de-conta, o país não está a ser capaz
de construir porque vós fazeis questão que não seja capaz de construir; vós,
com a vossa contínua e alarmante atitude destrutora implacável de direitos
básicos consagrados na Constituição, a Lei Fundamental, zeladora dos alicerces
da Democracia.
Essa
deixou de ser a Casa do Povo e passou a ser a Assembleia da Esquizofrenia.
Dedos erguidos! Dedos bem tesos, bem
erguidos! Se é p’ra entrar na merda, ao menos que valha a pena.
Conceição Sousa in "FICA"
Capítulo 24
– É com muita tristeza que ouço nas
notícias que a taxa de suicídio entre as pessoas de bem, vítimas desta política
abraçada ao capital, aumentou exponencialmente. É por isso que a chamo de
política criminosa. É com muita tristeza que percebo que o meu ensaio fictício,
a minha reflexão demorada sobre as circunstâncias actuais, se torna realidade.
Não é preciso ser muito inteligente para perceber ao que nos conduzem estas
insistentes escolhas políticas. Já lá estivemos, lembra-se?
–
Talvez ainda mais importante do que atentar na falta de pão na mesa das
famílias é perceber que não há famílias já que consigam, a uma mesma hora,
partilhar o que quer que seja em cima de uma mesa. Há-de faltar sempre alguém:
ou porque esteja à procura de emprego, ou porque esteja a trabalhar sem
qualquer remuneração, ou porque esteja a trabalhar por dois ou três, ou porque
esteja emigrado, ou porque esteja simplesmente mal-humorado, ou porque tenha
deixado de estar... não há famílias já que se consigam sentar, a uma mesma hora,
numa mesma mesa para partilhar o que quer que seja. E esta é a maior tragédia
da época em que vivemos. Há a desintegração total. O que se segue a tal
abandono? Construção? Não. Desafortunadamente e inevitavelmente, o oposto .
Sim, sei, já lá estivemos.
– Lamento
todas as mortes que têm ocorrido, e ainda as que vão ocorrer,
desnecessariamente.
– Derrubaram-nos os
alicerces, mais uma vez, a casa ruiu. Agora, deambulamos por aqui e por ali,
sem rumo certo, sem sequer ter a esperança de encontrar um lugar onde erigir de
novo um possível ( até da palavra temos medo...) sonho. A única certeza que
temos é a de que há um vazio de critérios. Os válidos deixaram de existir.
Todas as conquistas foram apagadas. Roubaram-nos a projecção de um futuro, as
economias de um passado. Percorremos um terreno pantanoso. Ninguém sabe o que o
próximo passo trará, e já ninguém quer saber. A Democracia perdeu-se das suas
bases, deixou de o ser. Todos acordam e sabem que deixaram de acreditar. A
magia acontecerá no momento em que o povo vir a justiça a tirar a venda e a
colocá-la nos pulsos dos que nos usurparam a vida. Só aí poderemos voltar a
acreditar, dizem.
– É tudo uma
questão de vontade política, o tempo de um querer, o ensejo de olhar para as
pessoas, o sacrifício de uma vida, que já pagaram a triplicar (em juros) pelas
suas casas e, agora, porque as colocaram em dificuldade, vêem-se obrigadas a
desistir dos seus projectos, dos seus afectos, das suas memórias, ao
entregá-las ao banco. Quem resiste a tamanho golpe?
– Tenho a
dizer-lhe que todos os dias recebo uma notícia triste, uma notícia directamente
relacionada com a política do nosso governo: alguém próximo que perdeu o
emprego, alguém próximo que teve de emigrar, alguém próximo que (por conta dos
sucessivos cortes no salário ou reforma) não consegue cumprir os seus
compromissos, alguém próximo que está a passar fome, alguém próximo que não
consegue pagar a conta da luz, da água, do gás, alguém próximo que perdeu a
casa, alguém próximo que não conseguiu tratar o seu problema de saúde e, por
isso, faleceu. Digo-lhe, de coração, a minha luta é visível, é diária (como a
de todos, suponho eu) e, por vezes, faltam-me as forças. Felizmente, ainda
consigo buscar algum ânimo na escrita e espero que a escrita nunca me falhe.
– Diz-me, de coração… pois quando se tem um,
de verdade, o mundo abate-se sobre nós, resisto e luto o mais que posso também;
estou aqui p'ra mim e p'ra si, espero que alguém do outro lado, que se saiba
mover entre eles, os políticos, os retire rapidamente, pois isto de nação já
não tem é nada.
– Esta
gente não está ao serviço do país. Esta gente põe, descaradamente, o país ao
serviço deles. Infelizmente, vivemos uma ditadura mascarada de democracia. E
não é de agora. Tirem-nos
imediatamente e urgentemente do destino de todos nós. Eu, por mim, faço o que
sei: escrevo. Em tempos, até mandei um artigo para o jornal. Agora, estou velha e cansada. Conceição Sousa in "FICA"
Capítulo 22
Há
que tentar para que o remorso não nos abafe a alma. Pelo menos saberemos que
aquele trilho já percorremos e que as vergastadas nas pernas e braços valeram
as arritmias. Debalde deixamos de o temer e de o considerar. Sem fôlego, o
olhar sorri à escuridão daquele outro carreiro, mais atrás ou mais adiante –
este amanheceu de repente, enterneceu a curiosidade, quebraram-se temor e
encanto.
Mais
um palmo de mundo no mapa da minha busca. A sensação é a mesma de sempre: saciedade
e insatisfação: só isto?
Todos
caímos – alguns tropeçam, outros são pregados na cruz com rasteiras. Todos
caímos – uns aldrabam a queda, camuflam
as feridas, e fingem uma erecção permanente; outros sorriem o elevar de rosto –
é isso que as quedas fazem, quebram-nos
nas pernas mas erguem-nos no olhar ( chamo-lhes despertar, ter um vislumbre de
céu); outros choram o que caiu e, enquanto se afundam naquele bolor, verdete de ser que parece não conseguir se
libertar do acto de escorregar, esquecem que já estão no chão, e que se estão
na lama mais vale besuntarem-se nela, esfregarem-na na cara de todos, e só aí
romperem as lágrimas para que lavem a subida na sujidade impregnada no coração
dos hipócritas.
Há
uma pele luzidia em ti a soerguer-te essa demanda.
E,
lembra-te, todos caímos.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
falta de pão?
– Talvez ainda mais importante do que atentar na falta de pão na mesa das famílias é perceber que não há famílias já que consigam, a uma mesma hora, partilhar o que quer que seja em cima de uma mesa. Há-de faltar sempre alguém: ou porque esteja à procura de emprego, ou porque esteja a trabalhar sem qualquer remuneração, ou porque esteja a trabalhar por dois ou três, ou porque esteja emigrado, ou porque esteja simplesmente mal-humorado, ou porque tenha deixado de estar... não há famílias já que se consigam sentar, a uma mesma hora, numa mesma mesa para partilhar o que quer que seja. E esta é a maior tragédia da época em que vivemos.
perdoar a dívida?
Façamos contas: 100. 000 euros de empréstimo à habitação, a 25 anos de pagamento, tendo já passado dez. Uma média de 500 euros mensais de prestação da casa; uma média, nos primeiros sete anos, de 350 euros de pagamento de juros ( a ser meiga…); uma média de 150 euros de juros ( a ser muito meiga…) nos restantes três anos que perfazem a década. Quanto foi cobrado? 60.000 euros. Quanto foi efectivamente pago para a dívida? 25.200 euros. Quanto falta para a totalidade da dívida...? 74. 800 euros. Quanto cobrou o banco para si? 34. 800 euros. Eu repito: apesar da família ter pago ao banco 60.000 euros ( faltando pois 40.000 para perfazer os 100.000), devido à ganância na taxa de juro, na verdade, a família só liquidou 25.200 euros.
Esta família trabalhou, suou, sangrou, cumpriu e entregou 60.000 euros. Então como é? Perdoar a dívida o raio que os parta. Repor a verdade, meus amigos. Repor a verdade. As famílias não devem rigorosamente nada. As famílias não têm de ser perdoadas de rigorosamente nada. Quem deve são os bancos. Quem deve é o Estado. Quem deve é o sistema financeiro, quem deve é o sistema político ( que acoberta e ganha dividendos com as manobras do sistema financeiro). Quem tem de ser perdoado é o sistema financeiro, quem tem de ser perdoado é o sistema político, e ambas as suas ganâncias – mas não aconselho: não é hora de perdoar aos carrascos.
O não termos, ainda, força para destronar um sistema podre e ilícito, não significa que sejamos estúpidos, meus amigos. Não, não somos estúpidos. Sabemos perfeitamente quem deve a quem e quem tem de ser perdoado por quem. Repito: Banca e Estado devem aos cidadãos, devem respeito, devem representatividade, devem honestidade, devem legitimidade, devem humanidade. Banca e Estado têm de ser perdoados pela sua dívida de longa data, a que se juntam juros de mora de longa data, execuções fiscais e penhoras do erário público ainda em cima da mesa, e uma grande hipoteca de humanidade: mas não é hora de perdoar aos carrascos.”
Esta família trabalhou, suou, sangrou, cumpriu e entregou 60.000 euros. Então como é? Perdoar a dívida o raio que os parta. Repor a verdade, meus amigos. Repor a verdade. As famílias não devem rigorosamente nada. As famílias não têm de ser perdoadas de rigorosamente nada. Quem deve são os bancos. Quem deve é o Estado. Quem deve é o sistema financeiro, quem deve é o sistema político ( que acoberta e ganha dividendos com as manobras do sistema financeiro). Quem tem de ser perdoado é o sistema financeiro, quem tem de ser perdoado é o sistema político, e ambas as suas ganâncias – mas não aconselho: não é hora de perdoar aos carrascos.
O não termos, ainda, força para destronar um sistema podre e ilícito, não significa que sejamos estúpidos, meus amigos. Não, não somos estúpidos. Sabemos perfeitamente quem deve a quem e quem tem de ser perdoado por quem. Repito: Banca e Estado devem aos cidadãos, devem respeito, devem representatividade, devem honestidade, devem legitimidade, devem humanidade. Banca e Estado têm de ser perdoados pela sua dívida de longa data, a que se juntam juros de mora de longa data, execuções fiscais e penhoras do erário público ainda em cima da mesa, e uma grande hipoteca de humanidade: mas não é hora de perdoar aos carrascos.”
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